|
GRUPO CHORLAVÍ
FUNDO MINK'A DE CHORLAÍ
Concurso 2005
"O papel dos governos locais e da
descentralização no fortalecimento das estratégias que permitem revalorizar
territórios rurais pobres e marginalizados: experiências de associações
entre os governos locais ou municipais"
O Grupo Chorlavi convoca as organizações
públicas e privadas interessadas na problemática rural da América Latina,
a participar do Concurso Fundo Mink'a de Chorlavi, no contexto do Ciclo
de Aprendizagem Social 2005. O tema do concurso - correspondente ao tema
do ciclo de aprendizagem - é: "O papel dos governos locais e da descentralização
no fortalecimento das estratégias que permitem revalorizar territórios
rurais pobres e marginalizados: experiências de associações entre os governos
locais ou municipais". Neste concurso, o Fundo designará a quantia de
aproximadamente US$ 175.000 (cento e setenta e cinto mil dólares americanos)
que será usada em 10 a 12 projetos. Para maior informação, visitar a página
web www.grupochorlavi.org ou
escrever para rimisp@rimisp.org.
GRUPO CHORLAVI
1. O Grupo Chorlavi é uma rede interativa que busca estimular e facilitar
processos descentralizados de aprendizagem social, orientados a enriquecer
a qualidade e também a potenciar a efetividade das iniciativas transformadoras
das sociedades rurais da América Latina e do Caribe, em relação com uma
agenda temática definida e delimitada de desenvolvimento rural sustentável.
O Grupo Chorlavi é uma iniciativa apoiada pela Organização Intereclesiástica
de Cooperação ao Desenvolvimento (ICCO) da Holanda e o Centro Internacional
de Investigações para o Desenvolvimento (IDRC) do Canadá. Rimisp funciona
como a Secretaria Executiva do Grupo Chorlavi.
2. O trabalho do Grupo está organizado
tomando como base "Projetos de Aprendizagem Social"(1)
, que consistem em um conjunto de atividades de sistematização, reflexão
crítica, diálogo, comunicação e documentação, entre outras, que, através
de um processo sistemático, analítico e integral, devem estar dirigidas
a um tema concreto e, dentro de dito tema, a perguntas ou objetivos de
aprendizagem. Um projeto de aprendizagem envolve várias dezenas de organizações,
grupos, redes, e indivíduos em numerosos países da América Latina e do
Caribe.
3. Um projeto de aprendizagem tipicamente
inclui a realização de:
- Um documento de estado da arte que resume os conhecimentos
e as experiências mais avançadas no tema do projeto.
- Dez a doze projetos de sistematização de experiências inovadoras
no tema escolhido; estes projetos serão selecionados através de um concurso
aberto do Fundo Mink'a de Chorlavi.
- Análise comparativa das experiências inovadoras que foram sistematizadas.
- Oficinas presenciais e conferências eletrônicas, fazendo uma
cobertura que vai do nível local ao internacional.
- Documentação de todos os produtos através de um boletim eletrônico
e de uma página web.
- Uma estratégia de comunicação e incidência.
- Cursos de capacitação à distância preparados, realizados a
partir dos resultados de tudo o que foi descrito anteriormente.
4.Como uma forma de elevar a efetividade
do Grupo Chorlavi, ficou decidido que todos os Projetos de Aprendizagem
existentes entre 2004 e 2008 devem se concentrar em um tema básico, dentro
do qual sejam limitados os temas de cada Projeto de Aprendizagem, o que
pode ser sintetizado na seguinte frase:
"Entre os anos de 2004 e 2008, as atividades
do Grupo Chorlavi estarão concentradas nos processos de transformação
institucional e produtiva de territórios rurais pobres e tradicionalmente
marginalizados, que, apesar de enfrentar um contexto adverso, foram capazes
de se revalorizar, a partir de visões e estratégias criativas".
FUNDO MINK'A DE CHORLAVI
5. O Fundo Mink'a de Chorlavi é um mecanismo de concurso anual do Grupo
Chorlavi, que tem como objetivo financiar projetos de sistematização ou
investigação aplicada, de experiências inovadoras de transformação institucional
e/ou produtiva das sociedades rurais na América Latina e do Caribe, e
que tem como tema e contexto de convocatória o tema a desenvolver pelo
projeto correspondente de aprendizagem social.
DEFINICIÕES
6. Para os efeitos do Concurso 2005, devem ser consideradas as seguintes
definições:
a) Sistematização: Processo de
ordenamento e reflexão crítica a partir de uma ou mais experiências de
desenvolvimento, em torno de uma pergunta ou preocupação predefinida,
com a participação dos atores locais, orientada à geração de lições aprendidas
que permitam melhorar a ação própria, assim como contribuir para a formação
de um corpo mais amplo de conhecimentos.
b) Territórios rurais pobres e marginalizados:
São aqueles espaços geográficos caracterizados pela fragilidade de seus
ecossistemas e de seu entorno ou contexto socio-ecomômico que impedem
a intensificação da agricultura e restringem as possibilidades de atividades
rurais não agrícolas, que normalmente têm limitações com relação à infraestrutura
produtiva: estradas, eletrificação, telecomunicações, água e canais para
irrigação.
c) Descentralização: Processo de mudança
na concepção, financiamento, execução e controle das políticas públicas,
que pode ser definido por duas características básicas: em primeiro lugar,
pelo estímulo à relação permanente e responsável entre os atores governamentais
(funcionários e eleitos), privados (representantes de grêmios, de sindicatos,
etc.) e associativos (ONGs, associações comunitárias, grêmios de defesa
do meio ambiente, grêmios de defesa dos jovens, etc.); e por encontar-se
no interior de um âmbito geográfico ou territorial que pretende ser restrito
o suficiente para favorecer a participação das forças sociais locais mais
importantes nas gestões destas políticas.
d) Governo local: Instância de
governo formal na extensão territorial mínima da gestão político-administrativa
do país. Em um regime democrático, o governo local deve ser constituído
mediante eleição popular representando à população do município, cidade
emancipada, intendência ou cantão.
e) Gobernança: Processo formal
e informal de interação entre atores para dirigir uma sociedade. Um sistema
de gobernança está integrado pela regras e procedimentos (formais e informais)
que configuram um marco institucional, no qual os diversos atores implicados
têm que agir.
f) Conselhos de desenvolvimento:
Instâncias criadas ou não por lei, que cumprem a função de realizar as
aspirações da comunidade na gestão do município ou do governo local.
PERGUNTAS QUE DEVEM SER RESPONDIDAS PELOS PROJETOS QUE PARTICIPAM DO CONCURSO
2005
7. Alguns dos principais problemas que o processo de descentralização
apresenta e que produz um impacto ainda muito limitado sobre a dinâmica
do desenvolvimento social podem ser resumidos em:
a) a) Os Conselhos de Desenvolvimento Local tendem a refletir as condições
locais e as forças sociais sobre as quais se apóiam, mesmo quando formalmente
se indique a necessidade da participação popular, é comum que esta seja
dominada pelas elites locais e pelo clientelismo. Estes Conselhos muitas
vezes não incluem suficientemente os setores discriminados, marginalizados
ou com menor poder, como costumam ser: as mulheres, os jovens e, dependendo
dos contextos, os povos indígenas e os povos afro-americanos.
b) b) Estes conselhos com muita freqüência reduzem sua ação a uma esfera
local muito restrita (uma cidade emancipada ou um pequeno município),
na qual é quase impossível que surja uma verdadeira capacidade de planejamento.
c) c) A maior parte dos Conselhos de Desenvolvimento Rural tem seus protagonistas
ligados ao setor agropecuário e deles raramente emergem propostas e ações
ligadas a atividades e a setores não agrícolas do meio rural.
d) d) A forma da relação entre estas organizações locais e os fundos governamentais
dos quais depende sua ação, favorece os procedimentos burocráticos: as
localidades beneficiadas por recursos públicos são eleitas por critérios
objetivos (pobreza, participação de populações agrícolas e densidade)
e não pela qualidade dos projetos que são capazes de elaborar a partir
de seus conselhos. Não existem incentivos para que estes conselhos obtenham
recursos privados - além dos recursos públicos - para desenvolver suas
ações.
e) e) Os conselhos locais de desenvolvimento, raramente se comportam como
organizações de aprendizagem: não trocam experiências com seus parceiros,
não estão obrigados a publicar os resultados de suas ações, não são avaliados
pelos resultados que obtêm e, na maioria dos casos, não estão ligados
a organizações de ensino e investigação.
f) f) Raramente fazem parte destes conselhos segmentos significativos
das organizações empresariais locais. Isto amplia a dificultade de que
o fomento ao empreendimento popular - como uma forma de combater a pobreza
- encontre caminhos viáveis que permitam inserir os que atualmente vivem
em situação de pobreza em melhores mercados.
g) g) O resultado é que raramente estes conselhos contribuem no sentido
de que existam inovações produtivas e organizações capazes de melhorar
a inserção social - e principalmente a inserção em novos e melhores mercados
- daqueles que atualmente se encontram em situação de pobreza.
8. Não existe dúvida de que são muitas as experiências na América Latina
e no Caribe, em que os governos locais conseguiram fazer da participação
social um elemento decisivo para a criação de um ambiente adequado ao
processo de desenvolvimento, e que seu exercício permitiu melhoras no
nível de vida dos setores pobres rurais, através da transformação produtiva
e institucional que consegue revalorizar o território. O interesse do
atual projeto de aprendizagem consiste em saber se a coordenação intermunicipal
é ou não um dos meios importantes para superar os problemas freqüentes
nos governos regionais.
9. O que se busca é que as sistematizações
ajudem a responder a seguinte pergunta central: A coordenação entre governos
locais e/ou municipais fortalece o processo de gobernança cooperativa
descentralizada ou, do contrário, expressa fundamentalmente uma articulação
política, na qual os atores mais importantes do desenvolvimento estão
ausentes e contribuem pouco para a valorização dos territórios rurais?
(2)
10. Esta pergunta central pode ser abordada
pelos projetos que participam do Concurso, através de temas e perguntas
mais específicas, tais como:
a) a) Quais são as forças sociais, entendidas
como organizações que representam as demandas de diferentes atores, que
participam na coordenação entre governos locais e/ou municipais?
b) b) Como pode ser descrita a gobernança no interior da organização que
permite a coordenação entre governos locais e/ou municipais? É possível
que exista esta gobernança apesar da existência de diferenças partidárias
nas eventuais associações ou projetos intermunicipais de desenvolvimento?
c) c) Quais são os incentivos e os mecanismos de atribuição de custos
e benefícios destas associações de governos locais e/ou municipais?
d) d) Quais são os impactos da existência destas associações de governos
locais e/ou municipais?
e) É possível que a coordenação entre os governos locais e/ou municipais
supere, de maneira eficiente, a execução setorial de políticas públicas?
f) f) Quais são as figuras jurídicas das associações entre os governos
locais e/ou municipais utilizadas para estabelecer sua criação e funcionamento
e que normatizam ou regulamentam a descentralização de recursos, atribuições
ou faculdades dos governos locais?
11. Também se busca obter lições de como os governos locais e suas associações
podem contribuir para que as comunidades rurais sejam mais incluentes,
no sentido de que a equidade no interior do território e dos lares se
caracterize por graus de inclusão de grupos e categorias sociais tradicionalmente
excluídos, como as mulheres, os afro-latino-americanos, os indígenas ou
os camponeses sem terra, tanto no acesso aos benefícios como no acesso
ao poder. É importante que a partir destas lições possam ser identificadas
as condições que poderiam ser sensíveis a ações de política pública ou
de intervenção de diversos atores de desenvolvimento, para facilitar a
realização de experiências similares por parte de outros grupos.
RESULTADOS ESPERADOS PARA O CONCURSO 2005
12. As entidades que quiserem fazer parte do Concurso e cujos projetos
forem finalmente selecionados, deverão participar do ciclo completo do
projeto de aprendizagem social, contemplado pelo Grupo Chorlavi. Este
ciclo inclui três etapas principais:
a) A realização das sistematizações que
ganharem o concurso, incluindo uma oficina de coordenação da qual devem
participar os responsáveis de cada projeto vencedor e na qual se estabelecerão
acordos para o conjunto de projetos vencedores, conforme um conjunto o
mais coerente e articulado possível, orientado ao desenvolvimento de um
projeto de aprendizagem social.
b) A análise comparativa dos resultados
dos projetos, com o objetivo de extrair conclusões, lições e recomendações
de validez mais geral.
c) Um processo de comunicação estratégica
dos resultados de todo o ciclo de aprendizagem social.
13. O resultado principal dos projetos
que fizerem parte do Concurso 2005 será uma sistematização de uma ou mais
experiências sobre o papel dos governos locais e a descentralização no
fortalecimento das estratégias que permitem revalorizar territórios rurais
pobres e marginalizados: experiências das associações entre os governos
locais ou municipais. Dita sistematização deverá produzir conclusões,
lições aprendidas e recomendações referidas às perguntas formuladas nos
parágrafos 9 e 10 desta Convocatória.
14. Os relatórios finais dos projetos
vencedores constituirão o material principal para a realização de uma
análise comparativa, que junto com um processo de consulta e discusão
(mediante uma conferência eletrônica), deverá produzir um documento de
síntese que dará resposta à pergunta central especificada no parágrafo
9 desta Convocatória.
PRAZOS
15. Os prazos das etapas do Concurso são:
- 15 de julho de 2005, Publicação da Convocatória e do
Regulamento do Concurso 2005.
- 12 de setembro de 2005, Fim da recepção de consultas
esclarecedoras sobre a Convocatória, o Regulamento ou qualquer outro
aspecto de interesse para os participantes.
- 30 de setembro 2005, Às 13.00 horas, hora de Santiago
do Chile, prazo final para a recepcão das propostas e da documentação
adicional requerida no Regulamento.
- 12 de dezembro de 2005, Publicação da lista de projetos
vencedores do Concurso na Página Web do Grupo.
- 31 de dezembro de 2005, Assinatura de contratos com
as organizações executoras dos projetos vencedores.
- De 20 a 22 de fevereiro de 2006, Oficina de coordenadores
dos projetos vencedores.
- 15 de julho de 2006, Apresentação de relatórios com
os avanços.
- 31 de dezembro de 2006, Apresentação de relatórios
finais, técnicos e financeiros.
- Janeiro - março de 2007, Revisão de relatórios e análise
comparativa.
- Abril de 2007, Conferência eletrônica de síntese.
REGULAMENTO DO FUNDO
MINK'A DE CHORLAVI
16. OO presente Concurso está normatizado pelo Regulamento do Fundo Mink'a
de Chorlavi. É essencial que os interessados em participar do Concurso
conheçam e analisem este Regulamento previamente e de forma detalhada.
Este documento contém informação sobre:
(a) As características das organizações
que podem apresentar propostas para o concurso.
(b) Os prazos para a apresentação das propostas e outras etapas do concurso.
(c) Os critérios de elegibilidade, mérito e seleção dos projetos.
(d) Os montantes máximos que o Fundo doará, os itens orçamentários que
podem ser financiados e as exigências de co-financiamento.
(e) O processo de recepção, avaliação e seleção das propostas.
(f) As características de formato que as propostas devem cumprir obrigatoriamente.
(g) Os contratos que serão assinados com as organizações cujos projetos
sejam escolhidos e sobre o procedimento para a transferência dos recursos
de co-financiamento depositados pelo Fundo.
(h) Os prazos para a execução dos projetos que serão selecionados.
(i) Os relatórios parciais e finais, técnicos e financeiros que deverão
ser apresentados.
(j) As atribuições do Comitê do Grupo Chorlavi para tomar decisões relativas
a este Concurso.
(k) Outros aspectos gerais do Concurso Fundo Mink'a de Chorlavi e o Grupo
Chorlavi.
PARA MAIOR INFORMAÇÃO
17. O Regulamento, assim como outras informações de interesse, se encontram
disponíveis na Internet (www.grupochorlavi.org)
ou podem ser solicitadas a:
RIMISP
Casilla 228 -22, Santiago, Chile
Tel + (56-2) 236 45 57
Fax + (56-2) 236 45 58
rimisp@rimisp.org
18. Todas as informações oficiais relativas
a este concurso serão publicadas na página web www.grupochorlavi.org.
Convidamos todos os interessados a participar deste concurso, que visitem
de maneira periódica esta página web, para que estejam oportunamente informados
sobre qualquer notícia que possa ser pertinente para sua participação
ou proposta.
1/
Para maior informação, visite a seção "Projetos de Aprendizagem Social"
na página web www.grupochorlavi.org
2/ Esta pergunta
central deve estar refletida no objetivo geral das propostas que forem
apresentedas para o Concurso 2005.
|